A hora do almoço

- Gostei muito, meu filho – disse o pai, passando a mão na cabeça do menino.
Um dos detalhes da foto, o qual não tinha sido notado pelo garoto, era que o mendigo estava comendo as azeitonas do cachorro quente dos seus amiguinhos, provavelmente arremessadas ao chão, porque eles não simpatizavam muito com o fruto.
- E aí, já sabe o título que vai pôr na foto? – perguntou o pai.
- Não... foto precisa de título? – questionou inocentemente o filho.
- Claro! É isso que a identifica no meio de tantas outras.
O filho vislumbrou meticulosamente a foto (ou, pelo menos, tentou), no intuito de descobrir um nome que mais se adequasse à imagem. Porém, seus olhar infantil só o fazia enxergar um mundo de sorrisos e fast foods baratos. Aliás, o fotógrafo mirim nem sabia o significado da palavra “food”, tanto literalmente como metaforicamente. Ele franzia a testa, remoendo em sua pequena cabeça pensamentos que pudessem levá-lo à um denominador comum, isto é, o título. Os objetos entravam numa sintonia estranha que ele não sabia...
- Que tal “a hora do almoço?” – o pai interrompeu os pensamentos do menino, indicando um título..
- Achei esse título ótimo, papai!
De um lado, o menino reparava mais uma vez o cachorro quente na mão dos amiguinhos, na medida em que concordava com o seu pai. Do outro lado, o pai observava o mendigo desfrutando daquela “reles” azeitona, outrora dispensada por outras bocas. Ambos estavam certos de que tinham tomado a melhor decisão para o título.